Entre Tangos & Boleros


17/02/2006


Velho Oeste

Eram umas quatro da tarde, não mais que isso, quando passamos pela serra, em direção ao oeste, sempre oeste, até onde aquele asfalto nos levasse. Fugir de si mesmos todos tentavam, mas talvez já fosse tarde até para isso. No rádio do carro, uma música americana estridente, irritante, confundia-se com gritar do cérebro, das imagens emergindo em um turbilhão de idéias desconectas. Era aquela a trilha sonora perfeita para a loucura. O olhar no horizonte e uma imensidão de azul de meter medo, azul manchado apenas por solitárias nuvens brancas, quase tufos de algodão, isoladas uma das outras, e eram tantas que faziam daquilo um perder de vista sem fim. O azul primeiro e último, uma saudação também despedida, e isso era tudo o que passava em nossas cabeças no meio o turbilhão de idéias que, se algum sentido tinha, era provocado pela irritante música americana. O velho oeste, a direção do pôr-do-sol, isto é o que se aprende na escola, que o sol se põe no oeste, mas o sol não se põe, é a terra que gira em torno de si mesma e em torno dele, se aprende assim, a grande ilusão de sentido de sempre parecer que o sol é que gira em torno da terra, assim como parece à vida acontecer em torno das pessoas, mas as pessoas são mesmo pequenos e insignificantes estilhaços de vida. E ali, pequenos, secos e insignificantes. O sol, aquele sol escaldante sempre à frente do automóvel, era o sol mesmo e o de sempre, naquela história, a indicar o caminho. O reflexo do sol no pára-brisa dava uma sensação de mais calor ainda, e o suor já lavava nossos corpos e espíritos ressequidos quando nos demos conta de que o sol, naquela estrada sem fim, era nosso guia. O sol, a música, o suor, o azul. Que sentido teria tudo aquilo? Sentidos eram precisos. Olhar para frente, estar sempre atento, e até que a estrada estava boa, surpreendentemente boa para uma estrada que leva a lugar nenhum, como é o que dizem aqueles que não vivem, que nunca sujaram seus pés, que nunca respiraram o ar seco do oeste, que nunca cruzaram as serras, que nunca sequer viram a paisagem de pedras e desolação em tempos que Deus desiste daquele lugar e dos poucos bichos e gentes que ali teimam viver. A estrada estava boa. Talvez possa ter havido alguma mudança. Talvez ainda haja escolha. Talvez haja sentido. Talvez. E a paisagem, a mesma, mesma de sempre. Vamos em frente nesse dia sem fim. Nada de novo para quem sabe que Deus nunca escolheu passar as férias nesse velho oeste.

 

Escrito por bolerina às 19h08
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10/02/2006


Ausências

Ontem recebi um e-mail que comunicava a morte de um amigo. Falar de morte é sempre difícil porque a morte implica, em primeiro lugar, numa perda. De fato, há uma perda física, a perda do convívio com todas as pessoas que passam pela nossa vida e que um dia se vão. Há pessoas que se vão porque viajam; há pessoas que se vão, embora estejam fisicamente perto, quando escolhem outros caminhos e, voluntariamente ou não, se distanciam de nós; e há aquelas que se vão porque, enfim, morrem. Aos amigos distantes, mas vivos, tentamos sempre minimizar a perda física pela esperança de um reencontro ou pela certeza de que, por exemplo, um amigo que deixamos pelo caminho vai viver outras experiências, conhecer outras pessoas, aprender, ter, ele também, outros ganhos e perdas porque, assim como para nós, para ele a vida também continua. E a ele, desejamos boa sorte, desejamos um futuro promissor, projetamos perspectivas. Mas perder um amigo para a morte é sempre mais doloroso porque sabemos que, para aquele de quem tanto gostamos, a vida acabou. Não há sorte. Não há futuro. Não há perspectivas. Acreditamos na perda e  passamos conviver com esse sentimento de ausência que dói, lateja, que dilacera o peito abrindo feridas que, quando o tempo cura, transformam-se em tristes cicatrizes. Pensando nisso – e talvez até para minimizar a dor dessa perda – é que penso que, ao contrário da ausência, podemos, sim, ver a realidade de forma diferente, pois nem mesmo a morte, a maior de todas as ausências, tem o poder de suprimir a força inesgotável da memória. Pois é nela, na memória, a partir de então, que nossos amigos que se vão encontram espaço na vida da gente. Acredito que a memória é uma casa onde cabe tudo, mas lá dentro, é em um espaço muito especial que estão os nossos amigos ausentes. E se, como se diz, cada vez que lembramos de algo revivemos, de forma mental, essas lembranças, com toda a carga de emoção que elas trazem consigo, então posso crer sem culpa que as pessoas que passam pela nossa vida, e em especial aquelas de quem gostamos, nunca morrem. Seus corpos são flores que o jardineiro da vida um dia colheu, mas, de alguma forma inexplicavelmente bela, suas almas continuam vivas dentro de nós. Creio nisso, então, para lembrar-me delas em seus momentos mais felizes, sentindo-me feliz, eu também, com essas lembranças. E porque a vida é uma constante transformação, prefiro, então, não acreditar na morte, mas na força infinita do que move o universo, do que faz a terra girar e nos proporciona, todos os dias, espetáculos de vida. Como as lagartas que ganham asas e viram borboletas, meus amigos que se vão estarão sempre vivos em mim. Por isso, apesar da dor e da saudade, aceito que eles batam, enfim, as asas que Deus lhes deu, transformando a perda em saudade, a dor em esperança, a morte em certeza de vida e a vida em um presente divino.

 

Em memória de Andrea Liberati, professor de capoeira que me acolheu como uma irmã, na sua academia e no seu coração. Roma, o Brasil, a Capoeira e as pessoas que te amam ficaram um pouco mais tristes depois da sua partida, mas você vive, e viverá sempre, em cada um de nós.

Escrito por bolerina às 15h03
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01/02/2006


Feliz Ano Velho

            Não, não vou escrever sobre o livro do Marcelo Ruben Paiva. É que com exatamente um mês de atraso decidi me despedir do ano de 2005. Com o passar dos anos – e olhe que já se vão 33 deles – parece que a vida vai ficando meio repetitiva. Talvez por isso já não seja mesma a empolgação para comemorar anos que se vão, anos que vêm... Enfim, decidi finalmente me despedir de 2005, um ano aparentemente normal, repleto de fatos, acontecimentos, coisas boas e não tão boas assim. Mas um detalhe, ao menos, diferencia este ano dos anteriores, o que me faz ter uma relação distinta com esse ano. Poderia chamar 2005 de “o ano da descoberta”. Ou melhor, de “o ano da consciência”. Descoberta de que os anos que passei nas academias – quatro anos que foram prolongados para nada menos do que doze –, os anos de suposta preparação para a vida, para o exercício de uma profissão foram, na verdade, os melhores anos da minha vida. Consciência de que eles, e consequentemente os dias felizes que eles me deram, jamais se repetirão.

Certa vez minha tia, discutindo sobre esse tempo exageradamente prolongado de estudos, me perguntou quando eu iria “ser gente”. Logo entendi que ser gente, para ela, seria algo mais ou menos parecido com casar, ter filhos, ter um diploma, partir para o mercado de trabalho, abraçar a profissão e ganhar muito, muito dinheiro para comprar uma boa casa, um bom carro, e etc., etc., etc. Claro, o lógico da história é pensar que um tempo prolongado de “formação” garantiria, automaticamente, um bom rendimento, uma boa carreira, um bom emprego, uma família. Hoje, exatamente hoje, poderia responder-lhe duas coisas. Primeiro que essa lógica neoliberal só faz sentido na teoria. Segundo, que foram exatamente durante esses doze anos que, mesmo sem quase nada disso acima descrito, experimentei grandes oportunidades de viver, de me apaixonar, de vivenciar as melhores experiências que a vida me deu, de conhecer pessoas e lugares que definitivamente marcaram minha vida. Em João Pessoa, por exemplo, tive dias de rainha, e também de indigente; já dormi ao relento, mais especificamente em uma pracinha, em pleno carnaval em Olinda; já passei frio em Campina Grande e tomei um porre de conhaque para agüentar a noite longa; vi a neve na Itália, além de uma porção de outras coisas; conheci, e mais que isso, tive contatos imediatos de vários graus com outras culturas e civilizações; vi o bom e o ruim que uma cultura, através de seus homens, pode legar à humanidade. Já namorei a Geografia e a História, mas tive mesmo um tórrido caso de amor com a Cultura, essa entidade plural, contraditória, antagônica e apaixonante. Minhas viagens, meus amores, minhas paixões, minhas escolhas aconteceram nesses doze anos. Durante. Não depois. Por isso, eu responderia à minha tia, ainda, que para mim “ser gente” não é colecionar diplomas. Não é assumir seu lugar na sociedade. “Ser gente”, sentir-se um ser humano, é sentir dentro de si a capacidade de amar, de se apaixonar pela vida, e exercitar, simples e naturalmente, essa capacidade. Claro, isto é uma opinião pessoal e intransferível. Talvez até única. E talvez, também, um pouco contraditória. Pensando bem, eu não responderia nada a minha tia, afinal, ela deve estar bem mais resolvida na vida dela com seus pontos de vistas...

A sensação que tenho é a de ter corrido, corrido, corrido, e agora, de ainda ter que correr, correr, correr, mas sem a paisagem colorida do caminho de antes, e principalmente sem pódio de chegada ou beijo de namorada, como disse Cazuza. Claro que desejo, do fundo do meu coração, que isso seja transitório e que dure o tempo que tenha de durar, mas que passe. Afinal de contas, eu ainda estou convicta que euzinha vim ao mundo a passeio.

Só pra terminar – eu nem sei por que comecei a escrever isso – gostaria de deixar claro que apesar de tudo, 2005 foi um ano bom. Levei algumas quedas, me machuquei, tomei rasteiras inesperadas, cometi erros – muitos, aliás – mas sobrevivi, e sobrevivi tentando acertar, por mais difícil que tenha sido, algumas vezes, fazer a escolha que julguei ser a certa. E estou sobrevivendo. No trabalho, estou tentando – e acho que isso será um tentar eterno – seguir outros rumos, evitar as decepções que o ano me trouxe. Quanto às paixões mais, digamos, humanas, 2005 me deu apenas um presente, mas um presente raro e fugaz, quase efêmero, que passou pela minha vida só pra me lembrar que, apesar de tudo, o coração ainda pode bater mais forte, bem mais forte. Infelizmente só restou dele uma saudade sem tamanho e uma esperançazinha escondida, que ainda tem cheiro de chuva e sabor de mar. A saudade, afogo-a em vinho, de vez em quando. A esperança, prefiro guardá-la só pra mim.

 Então é isso. Despeço-me de 2005, sem muita empolgação com o ano de 2006, que já começou faz um mês e, sinceramente, ainda não deu sinais de mudanças. Mas continuo esperando... Agora pelo carnaval.

Escrito por bolerina às 15h03
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19/01/2006


Então me diz...

Quem escutou a música cantada pela Simone e achou-a linda, deve procurar ouvir o "original", trilha sonora do filme Closer ("Perto Demais"). É simplesmente linda. Aliás, as primeiras cenas da novela Belíssima lembram muito o filme, sobretudo o encontro dos personagens Júlia e André. Ele, inclusive, está a cara do ator principal. Pois é, na vida e na Globo nada se cria, tudo se copia... Quanto à música, nada mais perfeito do este casamento entre a letra e a canção...

 

The Blower's Daughter

Damien Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

Escrito por bolerina às 16h15
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05/01/2006


Escrito por bolerina às 17h15
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16/12/2005


Na guerra...
-  Meu amigo ainda não regressou do campo de batalha, senhor. Solicito permissão para ir buscá-lo — disse um soldado a seu superior.
-  Permissão negada, respondeu o oficial — Não quero que você arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto.
O soldado, desconsiderando a proibição, saiu, e uma hora mais tarde regressou mortalmente ferido, transportando o cadáver de seu amigo.
O oficial ficou furioso.
-  Eu te disse que ele já estava morto! Agora, por causa da sua indisciplina, eu perdi dois homens! Me diga, valeu a pena ir até lá para trazer um cadáver?
E o soldado, moribundo, respondeu:
-  Claro que sim, senhor! Quando encontrei o meu amigo, ele ainda estava vivo e pôde me dizer: "Eu tinha certeza que você viria!"

"UM AMIGO É AQUELE QUE CHEGA QUANDO TODO MUNDO JÁ SE FOI."

(recebi por e-mail. Desconheço a autoria)

Escrito por bolerina às 16h31
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13/12/2005


TRÊS COISAS...

Bebê,

Poderia te dar flores... mas hoje quero apenas lembrar do teu sorriso e dessa alegria contagiante e encantadora que você esbanja quando os seus problemas se tornam menores do que a sua vontade de viver. Ontem eu vi (embora eu sempre soubesse) que a luz que você irradia é suficientemente potente para iluminar todo o teu caminho. Olhe, nós não precisamos que o universo conspire a nosso favor, porque já fazemos parte dele. O caminho consiste apenas em "ver" para onde o vento sopra. E somente se ele não soprar, aí sopramos nós...

(Neste dia feliz não tenho flores pra te dar, mas escolhi o poema e o desenho abaixo pra vc. Se cuide e não se esqueça: quero o teu bem, acima de todos os sentimentos, tá?)


As Três Coisas

(Fernando Sabino)

"De tudo o que se faz na vida, ficam três coisas:


* A certeza de que sempre estamos iniciando;


* A certeza de que é preciso continuar;


* E a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.


Fazer da interrupção caminho novo.
Fazer da queda passo de dança,
do medo, escada;
do sonho, ponte;
da procura, encontro.
E assim terá valido a pena existir".

Escrito por bolerina às 19h47
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14/11/2005


Crônica de um amor imperfeitamente eterno

 

Um grande amor só se pode perder uma vez - para que
ele fique na lembrança como algo infinitamente bom...
Perder um grande amor por uma segunda vez é perder o
encanto e o sonho que todo um grande amor envolve.
Então, o desejo de ver de novo um grande amor esbarra
no medo de perdê-lo novamente.
Como uma grande viagem em que o coração embala a
vontade, que é tanta, e ao mesmo tempo afasta do
pensamento, a presença, ele percorre nossos dias.
Um grande amor só se deve perder uma vez...
Um grande amor! do tempo que amor tinha verbo e o
sujeito sempre era feliz, não deve se perder no tempo
nem deve tentar resgatar segundos.
Os amores nunca serão antigos. Grandes amores não
possuem datas, pois quem data não ama.
Assim, deixe um grande amor tomar todo o espaço
conquistado, pois todo o amor possui o seu canto e ele
com certeza será uma saudosa música quando quiseres
embalar boas recordações na varanda de casa.
Um grande amor só se deve perder uma vez... para que
ele seja sempre nosso. Um grande amor deve ser
guardado aonde a cor e o perfume dele sejam
preservados... Um grande amor é como um bom vinho
que deve ser degustado com prazer e entendimento... Os grandes amores não se perdem uma segunda vez, eles serão sempre amores à primeira e única vista...
Um grande amor sempre tem lugar em nossa cama, pode sentar sempre a nossa mesa e falar de nossas poesias, nossos encontros e desencontros... Um grande amor faz parte da nossa vida mesmo que não queiramos, mesmo que não mais o tenhamos ao nosso lado.
Ele está guardado a sete chaves em nosso coração. Um
grande amor é inviolável.
Um grande amor tem nome, embora muitas vezes não
queiramos mais pronunciá-lo.
Um grande amor só se pode perder uma vez... para
preservá-lo, encantá-lo e possui-lo como quem bebe
água... Um grande amor nasce e renasce sempre simples e assim deve viver em nossa alma.
Tudo que escrevi só muda se um grande amor for
realmente O Grande Amor... Daí esqueça tudo e vá a
luta...
Para se viver um grande amor,  já dizia Vinicius,
primeiro é  preciso sagrar-se cavaleiro, ter a mulher
por inteiro, para viver um grande amor...


Edike Carneiro

Escrito por bolerina às 18h50
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09/11/2005


Qualquer Vinícius...

Qualquer coisa de Vinícius de Moraes... Porque poesia é remédio pra alma.

Ausência
 


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
 

 

MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.

Escrito por bolerina às 16h42
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28/10/2005


De boleros e outras canções...

Se minha vida virasse música... teria de ser um bolero. Um bolero apaixonado, sentimental e ritmado, bolero que convida a namorar com o corpo todo, na cadência de um bongô, tremendo mais que as maracás, mas compassado de amor... Pensando bem, poderia ser um tango visceral, um tango que estremece até a alma, um tango que convida a girar pelo salão da vida, em voltas e voltas e voltas, sem perder o ritmo, um tango que soa como um beijo tórrido, apaixonado e proibido, um tango que desaba em acordes trágicos, um tango... Se minha vida virasse música... Em dias de chuva, também poderia ser uma baladinha despretensiosamente lírica... Em dias de sol, um reggae para celebrar a vida. Em dias de solidão, um mantra tibetano. Em dias de torcida, um hino. Em uma noite iluminada, apenas o som de um violão... E a música de todos os dias e todas as noites, no embalo de um pulso, de uma pulsação, das batidas de um coração, seriam, assim, todas as músicas, neste caminho, para ocultar a dor de um silêncio profundo provocado pela falta que você me faz.

Escrito por bolerina às 15h46
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10/10/2005


Coisas sobre o amor...

Tinha um milhão de coisas pra escrever, e de repente um milhão de agradecimentos e carinhos a retribuir, aos amigos que nesses dias de clima difícil gentilmente apareceram para dizer "gosto de ti", ou "se precisar, conte comigo"... Outros, ainda, que surgiram do nada e, como sóis, iluminaram - e estão iluminando - meu caminho. As arraias, os únicos seres do mar que possuem asas, agora fazem parte da minha história, agora têm uma história especial na minha vida... Mas hoje vou deixar aqui uma mensagem sobre o amor que me foi enviada pela minha prima Lourena Mafra. Entre tanto pra dizer, mas acho que as palavras que ela enviou já dão um bom recado, inclusive com grifos nossos (meus e de Loura). Para todos os nossos amigos, os meus, os dela, os seus... Aí vai. Bjs.

Algo sobre o amor...

 

v     Para meus amigos que estão... SOLTEIROS. O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá. Mas quando menos esperar, ela estará ali do seu lado. O amor poderá te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir. Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de dá-lo somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher melhor.

v     Para meus amigos... NÃO TÃO SOLTEIROS. Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidade, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforma no melhor que podemos ser.

v     Para meus amigos que gostam de... PAQUERAR. Nunca diga "te amo" se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.

v     Para meus amigos que tem um... CORAÇÃO PARTIDO. Um coração assim dura o tempo que você deseja que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir. Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre. Permita-se rir e conhecer outros corações. Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a viver sua própria vida. A dor de um coração partido é inevitável, mas o sofrimento é opcional. E lembre-se: é melhor ver alguém que você ama feliz com outra pessoa, do que vê-la infeliz ao seu lado.

v     Para meus amigos que tem... MEDO DE TERMINAR. Às vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você. Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade? Mas o amor também dói muito mais quando ele não sabe o que você sente. Não engane tal pessoa, não seja grosso(a) e rude esperando que ela(e) adivinhe o que você quer. Não a force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitar. E a melhor forma de respeitá-la(o) é sendo verdadeiro(a) e sincero(a).

v     A TODOS OS MEUS AMIGOS. Eu desejo que vocês sejam pessoas com muito amor, sejam honestos, fortes, maduros, que mudem sempre para melhor, e que isso os ajude a levantar sua moral, que lhes proteja e lhes dê animo. E nunca se esqueçam de três coisinhas...

 

1-"FALAR DE AMOR, NÃO É AMAR"

2-"ANTES DE CRITICAR ALGUÉM QUE TE AMA, PENSE PRIMEIRO EM POR QUEM ELA SE APAIXONOU"

3-"SABER AMAR, É SABER DEIXAR ALGUÉM TE AMAR"

 

Escrito por bolerina às 16h34
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03/10/2005


Receita de Felicidade - Postado por minha amiga Patrícia Morais

Hoje eu passei o dia refletindo sobre a vida, buscando filosofias que justifiquem algumas tempestades, aquelas que mexem no nosso alicerce e nos deixa sem ação. Sei que nas minhas andanças e filosofias acabei dizendo coisas que não devia e não sentia, apenas como válvula de escape feri alguém, me perdoe.

O resultado? não encontrei resposta e resolvi buscar a receita da felicidade, essa tal donzela que nos deixa sempre a desejá-la! Sei que ela está nos mínimos detalhes de nossos pensamentos e ações e que depende de nossa vontade de desfrutá-la, mesmo que para isso tenhamos que superar vários obstáculos. É isso ai! Temos sempre que superar, mas o maravilhos poeta Toquinho nos adiantou esta receita e acredito que vale a pena tentar...

saudações e bon apetit!!! Patricia

Receita de Felicidade

Toquinho

Composição: Indisponível

Pegue uns pedacinhos de afeto e de ilusão;
Misture com um pouquinho de amizade;
Junte com carinho uma pontinha de paixão
E uma pitadinha de saudade.

Pegue o dom divino maternal de uma mulher
E um sorriso limpo de criança;
Junte a ingenuidade de um primeiro amor qualquer
Com o eterno brilho da esperança.

Peça emprestada a ternura de um casal
E a luz da estrada dos que amam pra valer;
Tenha sempre muito amor,
Que o amor nunca faz mal.
Pinte a vida com o arco-íris do prazer;
Sonhe, pois sonhar ainda é fundamental
E um sonho sempre pode acontecer

Escrito por bolerina às 14h04
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24/09/2005


A menina e o baú

Texto antiguinho, retirado do fundo da gaveta... ou do baú das minhas memórias de papel. Postei-o só para não perder o hábito. Como dizia Graciliano Ramos, é preciso não perder o hábito da palavra. Bjs.

            Sua avó tinha um daqueles baús antigos, que nem o tempo era capaz denunciar-lhe a idade. Velho, sem tempo como a dona. A menina, um dia, não conteve sua curiosidade e, às escondidas, foi dar uma espiadinha pela fresta do móvel e... Deixou-se cair no chão, de tanta surpresa! Descobrira que o tal baú era, na verdade, um velho contador de histórias, um guardião do passado, e estava ali, repleto de antigas novidades, somente à espera de alguém que quisesse ouvi-lo, como antigamente.

             Desde então, sempre que a avó se ausentava, lá ia a pequena encontrar-se com seu novo velho brinquedo. E os dois – a menina e o baú – passavam horas e horas conversando, o baú contando para a criança suas aventuras através dos objetos ali guardados que, para ambos, eram tesouros preciosos, recolhidos cuidadosamente ao longo dos anos sem fim: chapéus de feltro, cetim e couro, sedas e rendas, roupas velhas e desbotadas, sapatos, canetas tinteiro sem carga, frascos de perfume vazios e inodoros, papéis de cigarrilhas e chocolates, moedas de cobre, cartas e cartões postais empilhados, amarrados por um grande laço de fita quase vermelha, descolorida pelo tempo. Que segredos guardariam aquelas correspondências? Para a menina curiosa, era tudo uma nova e inusitada oportunidade de descobertas. Encontrava no velho baú a única forma de conhecer um mundo que não existia mais, viajar no tempo através de objetos mais do que mágicos, poderosos, quase místicos, amuletos preciosos pela capacidade de estimular a imaginação de uma criança. Eram eles os elos entre presente e passado, e seriam, a partir de então, o elo entre a menina e o tempo que ela descobria, dia após dia. Ah, como continha coisas, aquele baú!

             Tinha também brinquedos velhos, alguns quebrados, mas outros ainda quase vivos, apenas esperando pelos bracinhos infantis que lhes devolvessem o movimento e emoção há muito tempo perdidos. Tinha uma boneca de pano desbotadinha, quase rasgada, um tambor furado, um boneco de madeira pendurado por uma cordinha em dois pedaços de pau – a cordinha partiu-se ao ser esticada, que pena! – e marinheirinhos de papel marchê. Mas o que a menina mais amava daquilo tudo eram as fotografias. Ah, como eram lindas aquelas moças fininhas, levinhas, delicadinhas, sorridentes, quase flutuando nos jardins das praças. E enchiam-se das cores dos sonhos da menina as fotografias amareladas pelos anos. Seus namorados, de certo, seriam marinheiros apaixonados, que teriam ganhado os mares deixando-as a esperá-los, e os sorrisos então se guardariam todos para a volta. De repente, carinhas conhecidas: seu pai, seus tios, estavam todos ali naquele retrato, pequeninos, aconchegados ao lado da mãe zelosa, atenta à mínima descompostura: quieto, menino. Tire o dedo da boca, já disse! Agora olhem todos pro moço. Clic! E tinha também retratos de lugares bonitos, lagos, ruas ladrilhadas de pedrinhas de brilhante, casinhas cercadas de espaço por todos os lados, jardins, quintais, bondinhos, varais repletos de roupas. A cozinha lá atrás, e o cheirinho morno de comida de milho... Quase dava pra sentir...

                Às vezes, a menina se vestia com as roupas do baú, ou pelo menos tentava, com cuidado para não rasgar, não danificar nada. Eram blusas sem botões, calças infantis de pernas curtas, vestidinhos, saias... Tinha também uma roupa branca de bailarina. E uma gola de palhaço – seria aquilo uma gola de palhaço? E ela, a menina, ora era uma dançarina, ora pintava-se e virava palhaço, ora era ela mesma, e a bailarina girando leve na sua frente, e o palhaço a fazer malabarismos anunciando: Senhoras e Senhores! Para ela, pouco importava de quem teriam sido aquelas peças, nem se decerto foram um dia partes de um palco ou um picadeiro. Mas estavam lá agora, junto com a menina, e isso sim era o mais importante, o mais maravilhoso, porque naquele momento, ninguém haveria de provar que todos os sonhos não existiam, que os personagens, naqueles instantes de descoberta, não eram tão reais quanto aquela criança de olhos grandes e brilhantes a cobiçar os segredos de um tempo que não era o dela. Era algo bom, uma vontade de espiar pela fechadura da porta e encontrar-se com os personagens do seu sonho de criança, sabendo que tudo o que ela imaginava, não importa como, era verdade. Existia. O mágico de tudo para ela era descobrir uma estranha saudade de algo que ela não viveu, mas que sabia, e conhecia, e amava. E como amava...

               Um dia foram-se a avó, as relíquias, as antiguidades, o baú e todos os sonhos da menina. Custou, mas ela terminou por compreender que o que o tempo dá, seja de bom ou ruim, somente ele é capaz de tirar. As maiores preciosidades de um velho baú começam com os tempos perdidos de infância, perdidos porque nem mesmo a infância dura tanto: um dia a gente cresce. No fundo, é o próprio tempo quem nos leva a esse fim: nós, as velhas crianças, só nos tornamos colecionadores e amantes das preciosidades de um tempo quando este não mais existe. Foi o que aconteceu. A menina que amava o passado cresceu e... Bom, já era hora de começar, ela própria, a juntar as suas preciosidades.

Escrito por bolerina às 16h55
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19/09/2005


canção

... Chamo por Cecília, sempre Cecília, para nos lembrar que só a arte nos salva...

Beijos

Canção (Cecília Meireles)


Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Escrito por bolerina às 14h49
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